Cadetes do Mar de Portugal

Todos estamos a viver em Portugal um momento decisivo da nossa História de quase 900 anos, em que mais uma vez pode estar em causa a soberania da nossa Pátria. Trata-se de um sobressalto cívico, comum a cada vez mais Portugueses, a despertar-nos para a urgência de assumirmos todos, em conjunto, a formação cívica dos nossos jovens.

A Escola e os media têm passado ao lado do despertar da consciência dos jovens para os perigos e ameaças mundiais. Por isso muitos deles vivem alheios, vulneráveis, indefesos.

Nós não os podemos deixar iludidos. As ameaças à soberania de Portugal e à segurança dos Portugueses, estão cada vez mais perto. Esta imprevisibilidade e volatilidade nas relações internacionais, está patente no nosso quotidiano. Perante o terrorismo à porta, novas guerras na Europa a Leste e a infiltração incontrolável de clandestinos, os jovens Portugueses têm o direito de saber como defender-se dessas ameaças.

Esta é a razão pela qual as associações patrióticas que vêm apoiando o projecto dos jovens Cadetes nas Escolas, mantêm firme a linha de rumo que nos motivou a instalá-lo em Portugal, sucessivamente sufragado e legitimado pela presença e envolvimento crescente de voluntários das associações parceira nas iniciativas em regime de voluntariado cultural de divulgação das Forças Armadas e da Defesa de Portugal que progressivamente temos vindo a assumir, para com os Portugueses.

Trata-se de levar para dentro das Escolas do País a mensagem patriótica e a Cultura da Defesa de Portugal, que poderá fazer ressurgir a educação do carácter, norteada por valores identitários, junto dos nossos jovens nas Escolas, trazidos pelos Militares (do activo, reformados e reservistas, vivendo na comunidade), bem como pelos voluntários das nossas associações cívicas cooperantes, que poderão entrar nas Escolas e falar destas matérias aos jovens, bem como acompanhá-los aos estabelecimentos militares da sua cidade ou mais próximos (Navios, Capitanias de Porto, Regimentos, Escolas e Museus Militares, Monumentos e Sítios Históricos). Tudo isto é possível, sem custos para as Forças Armadas e solidamente fundamentado na vasta experiência de iniciativas bem sucedidas, desenvolvidas pelos nossos aliados, cujos representantes, de há dez anos a esta parte, nos têm visitado e connosco têm partilhado boas práticas.

Propomo-nos assim congregar os esforços das associações que têm colaborado em Portugal com a Liga dos Reservistas de Portugal, como tem sido o caso da Confraria Marítima de Portugal – Liga Naval Portuguesa, quer na sustentação dos Cadetes do Mar, quer na ligação à NATO e à UE.

Recordamos que na lei da República Portuguesa o Estado obriga-se a valorizar os factores de identidade nacional, promovendo o conhecimento da nossa história, fazendo respeitar os símbolos nacionais, sensibilizando os Portugueses para defenderem os interesses de Portugal no mundo. Este é o alicerce da formação para a cidadania Portuguesa, que o Estado tem por missão transmitir aos seus jovens cidadãos.

Em especial a Lei do Serviço Militar atribui às Forças Armadas a capacidade de estabelecer protocolos com as Escolas, com vista a, dentro das suas capacidades, sensibilizar os jovens para a temática da Defesa Nacional e para o papel das Forças Armadas (Artigo 13º do Decreto-Lei nº 289/2000).

Foi então a partir deste estímulo institucional, que um conjunto significativo da associações da sociedade civil, vocacionadas para a cultura de Defesa Nacional e para a divulgação das Forças Armadas junto dos jovens, à semelhança de idênticas iniciativas desenvolvidas há largos anos nos países nossos aliados, integraram pela primeira vez Portugal no movimento mundial de jovens Cadetes das Escolas, obtido previamente o apoio dos Ramos das nossas Forças Armadas. O Grupo de Amigos do Museu de Marinha foi aqui destacadamente, a entidade pioneira.

Assim, de há dez anos a esta parte os Cadetes do Mar de Portugal, inseridos no espírito deste movimento mundial de jovens que aprendem a ter orgulho na história dos países a que pertencem, passaram eles também a valorizar as causas e os sucessos da sua Pátria e a importância do Mar para Portugal. Empenham-se em ganhar espírito Patriótico e Humanista e em divulgar e promover nas suas comunidades a Segurança e Defesa de Portugal e dos nossos Aliados, o Dever de Memória para com aqueles que construíram Portugal antes de nós, bem como as missões, os meios e as carreiras e oportunidades que as Marinhas militar e civis proporcionam hoje aos seus cidadãos.

Nos últimos dez anos os Reservistas Voluntários das nossas Forças Armadas, tendo assumido a nível nacional a formação dos jovens Cadetes das Escolas em Portugal, orientaram mais de 150 cursos anuais em Escolas e Clubes jovens, no Porto, Aveiro, Cacia, Tomar, Rio Maior, Santarém, Amadora, Lisboa, Carcavelos, Barreiro e Ponta Delgada, envolvendo um milhar de jovens pelo país, levando a visitar as Unidades Militares e Navais dessas cidades, todos estes jovens e para cima de quatro mil familiares e professores. Fizemos chegar também a nossa mensagem patriótica e marítima às comunidades onde interviemos, expondo trabalhos dos alunos sobre Defesa Nacional, Forças Armadas e Causas do Mar a convite das Autarquias e somos presença frequente nos media regionais. Publicámos uma centena de artigos e notícias em revistas de especialidade e temos editadas duas centenas de publicações e apresentações multimédia, da autoria de jovens e divulgadas a outros alunos interessados, nas Escolas onde intervimos.

Ganhámos em 2015 um Prémio internacional da União Europeia “Prix Information et Education à la Défense et à la Sécutité dans la Vie Cívíque”.

Deste modo também as Forças Armadas Portuguesas passaram a contar com mais um canal permanente de acesso às Escolas do país, à medida que estas progressivamente se forem associando ao referido programa mundial de jovens Cadetes.

Seguimos assim a tradição das Marinhas, dos Exércitos e das Forças Aéreas dos nossos aliados, em especial no âmbito da Aliança Atlântica, que apoiam e enquadram actividades de divulgação das Forças Armadas dos seus países nas Escolas, incentivando a que os Reservistas Voluntários nos seus países, bem como os militares do quadro permanente reformados, terminado o serviço activo, prestem agora serviço voluntário junto dos jovens, através da organização dos “Sea Cadets” e “Army Cadets” nos países Anglo-Saxónicos, ou através dos projectos nas Escolas do “Devoir de Mémoire” e dos “Cadets de la Défense”, nos países Francófonos.

Esta prática de reaproximação dos recursos humanos que já passaram pelas fileiras, e que aprenderam conteúdos de Defesa Nacional é significativamente rentabilizada na generalidade dos países de tradição Anglo-Saxónica através do trabalho nas comunidades das “Navy, Air and Army Reserves”, e nos países Francófonos através das “Reserves Citoyennes”, desempenhando todos, com o apoio dos respectivos Ramos Militares, idênticas funções de reforço dos vínculos de ligação  das Forças Armadas com a Nação.

Mais recentemente destacamos a especial responsabilidade e particular valorização com que foi distinguida a Reserva Voluntária, no seu Segundo Congresso na Academia Militar em 5 de Maio de 2018, através do convite que em público lhe foi dirigida por SEXA o Almirante CEMGFA, António Silva Ribeiro, para que colabore com os Programas do EMGFA de divulgação nas Escolas, sobre Defesa Nacional e Forças Armadas, atendendo ao significativo e pertinente desempenho que os seus associados Reservistas têm desenvolvido na última década, nas suas comunidades, junto dos alunos das Escolas, em colaboração com as unidades militares residentes. Tal veio a concretizar-se logo desde o ano escolar 2019/2020.

 

Para esta nossa colaboração mais intensa com as comunidades onde se inserem os Núcleos de Reservistas Concelhios já ativos pelo país, contribuiu também a colaboração que mantemos desde 2010 com o Instituto da Defesa Nacional (IDN), nomeadamente a experiência de terreno que desde 2016 os Reservistas formadores dos Cadetes e os Cadetes Voluntários da Defesa, têm vindo a prestar em voluntariado cultural nas Escolas com quem têm protocolos de colaboração para participarem na lecionação do Programa de Cidadania (Referencial de Educação para a Segurança, a Defesa e a Paz – RESDP) a convite das Direções dessas Escolas, enquanto entidades locais da sociedade civil relevantes para a promoção da cultura de segurança, defesa e paz, dos jovens ao longo da escolaridade obrigatória (nos termos do Protocolo de Colaboração MDN e Ministério da Educação, para o efeito assinado em 15 de Novembro de 2012).

Esta integração dos Reservistas Voluntários nos programas de formação do EMGFA e do IDN, já conseguiu uma significativa expansão da influência dos Reservistas, junto de um número muito maior de jovens nas Escolas, decorrente da participação cívica voluntária desses Reservistas, junto das Escolas dos seus filhos ou netos, na sua comunidade de pertença.

Vejamos os seguintes sinais de crescimento: Nos últimos dez anos de formação dos Cadetes organizados em Clubes, atingimos mil inscrições de jovens das Escolas nossas parceiras, enquanto que, apenas durante o ano de 2019/2020 e desde que começámos a oferecer em simultâneo às Escolas a lecionação dos dois Programas referidos, do EMGFA e do IDN, os Reservistas, coadjuvados pelos seus Cadetes Instrutores (Voluntários da Defesa), já conseguimos trabalhar com mais de dois mil jovens dessas Escolas, reorientando portanto a nossa ação para divulgar a Cultura de Defesa, as Forças Armadas e a confiança na nossa aliança Atlântica, a um muito maior número de jovens aderentes.

Autor: Liga dos Reservistas de Portugal

 


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