Título “Pintor de Marinha” atribuído ao confrade Fernando Lemos Gomes

17-06-2021

O título de “Pintor de Marinha” foi criado pelo Despacho do Almirante Chefe do Estado Maior da Armada n.º 39/05 de 22 de junho e é por si conferido sob proposta da Academia de Marinha ao artista que tenha consagrado uma parte substancial da sua atividade à representação plástica ou gráfica de assuntos marítimos de Portugal.

Até hoje foi atribuído em 2005 e em 2019. Em 2021, um júri constituído para o efeito, constituído por elementos da Academia de Marinha, da Academia Nacional de Belas Artes, um Oficial da Marinha com reconhecida obra plástica e pelo artista plástico-pintor Correia Pinto, decidiu escolher os artistas Fernando Lemos Gomes e António João da Silva Delfim, os quais foram propostos para serem designados como “Pintores de Marinha”, título que é indissociável da profunda relação imagética com o Mar e com a Marinha, que caracteriza a identidade portuguesa.

As obras dos premiados integram-se no programa de preservação do legado e património da Marinha visando, através da sua representação pictórica, iminentemente naturalista, configurar e tornar visíveis as memórias e vivências experienciadas perante o enigma do Mar.

O artista recebendo a distinção das mãos do Alm. Mendes Calado, Chefe do Estado-Maior da Armada e uma perspectiva da assistência no auditório da Academia de Marinha.
O artista recebendo a distinção das mãos do Alm. Mendes Calado, Chefe do Estado-Maior da Armada e uma perspectiva da assistência no auditório da Academia de Marinha.

O realismo absorvente das pinturas deve-se a um tempo dilatado de observação, cuja objetividade ótica, por vezes mediada por máquinas, denota meticulosa preparação patente no desenho rigoroso, na composição, nos enquadramentos, no cromatismo sensível e delicado, nas atmosferas aquosas, e no dinamismo expressivo, conseguido através das técnicas do óleo e da aguarela, cujo domínio é deveras difícil.

As pinturas dizem-se fingindo a materialidade dos navios, a robustez dos materiais, a força dos homens na faina da pesca, as cartografias feitas de riscos científicos sobre o espaço limite do Mar, a simbologia mítica dos navegadores, mas, sobretudo, são capazes de convocar o olhar de quem vê, vendo as imagens que nos habitam e estão enraizadas no lugar dos Mares nunca dantes navegados e afrontados pela têmpera daqueles que inventam futuro.

No caso de Fernando Lemos Gomes, cuja formação académica passa pela Escola Superior de Belas Artes de Lisboa, identificou-se um «olhar documentalista», fundado num perfeccionismo científico, que se serve de «diagramas pictóricos», para nos contar as «histórias com nomes», materializadas nos corpos dos navios. Utiliza e domina a técnica da aguarela, desenvolvendo largas manchas com o intuito de revelar uma luminosidade quase metafísica, em contraste com os navios de guerra e com as suas guarnições. A «sectorização compositiva» dá destaque às séries de navios, centrando toda a atenção sobre a «coisificação» desse elemento securizante. Desta maneira, anula qualquer referência espacial, determinando o navio como o mediador entre o Mar e o Céu.  Pontualmente, aborda os estaleiros como lugares de purificação pelo fogo, onde nasceram as naves com velas brancas.

Estes pintores, identificados e vocacionados para a representação quase hiper-realista, que se encontra para além da própria realidade, propõem temáticas associadas ao Mar, aos navios, à paisagem, e aos motivos marítimos.

Quatro aguarelas marinhas de F. Lemos: No sentido dos ponteiros do relógio, iniciando em cima à esquerda, o cruzador auxiliar NRP PEDRO NUNES (1916-1918), o vapor de cabotagem madeirense NV GAVIÃO (1897-1950), o paquete FUNCHAL nas cores da C.I.N (1961) e o patrulha oceânico NRP FIGUEIRA DA FOZ, com uma das suas embarcações empenhada numa operação SAR (aguarela 2018).
Quatro aguarelas marinhas de F. Lemos: No sentido dos ponteiros do relógio, iniciando em cima à esquerda, o cruzador auxiliar NRP PEDRO NUNES (1916-1918), o vapor de cabotagem madeirense NV GAVIÃO (1897-1950), o paquete FUNCHAL nas cores da C.I.N (1961) e o patrulha oceânico NRP FIGUEIRA DA FOZ, com uma das suas embarcações empenhada numa operação SAR (aguarela 2018).

A Academia de Marinha reconhece o contributo das suas obras, que criam no seu saber pictórico um corpus de pintura que se consolida e expande, tornando visível o legado e património da Cultura de Marinha, cujo significado e simbolismo se reforça, através da atribuição do título de «Pintor de Marinha», formalmente anunciado no dia 15 de maio de 2021, em cerimónia comemorativa do Dia da Marinha, presidida pelo Almirante Chefe do Estado Maior da Armada.

A Confraria Marítima de Portugal – Liga Naval Portuguesa felicita o Confrade Fernando Lemos Gomes por esta distinção.

 


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